domingo, 20 de fevereiro de 2011

Algo que deixei escapar.

 
   As boas línguas dizem que sou meticulosa, egoísta, mentirosa e mandona. Nunca me arrisquei em saber, o que as más línguas pensam à meu respeito.
   Foi numa tarde de quinta-feira ensolarada, que começei uma nova conduta de vida. Depois de muitas pesquisas, a respeito sobre a diferença de omitir e mentir, resolvi dar partido, e dizer as boas línguas que sou uma omintirosa. Afinal no meu modo de ver, omitir e mentir daria no mesmo, a única coisa que não poderia fazer era dizer a verdade, e ferir o pobre e frágil coração de meu bisavó, ou até mesmo de um alguém com coração de pedra. De uns anos para cá, minha omintiras começaram a caminhar com as próprias pernas, e eu não tinha mais controle sobre elas. Oh, minha língua maldita, como gostaria de corta-la e acabar de vez com pobres corações partidos pela tal da omintira. Novamente, numa tarde de quinta-feira, com um sol tão sombrio, minha língua teve a punição que realmente devia. Não caro leitor, eu não a cortei como gostaria, fora algo muito mais cruel, algo que afetou um corpo com o coração ainda batendo, por completo...
   Sim ! Fui cara de pau comigo mesma, cobria meus olhos para não ver a diferença entre os dois lados da bolacha. A quem continua da dizer que omitir e mentir, seguem a mesma linha da semvergonhice e enganação, mas no meu ponto de vista, continua a serem completamente diferentes.
   Um tal de um dicionário online de português, diz que omitir é nada mais que "deixar de lado, passar em silêncio", e mentir é "enganar, iludir; ludibriar". Como em todas as vidas, todos os séculos, todos os tempos verbais, um dia sempre a mascaras irão cair. Podres e desajeitadas mentiras irão ser descobertas, muitos coração serão feridos, e relacionamentos abalados. Babacas e de coração mole, irão perdoar, já os os de coração de pedra e sorrisos amarelos que quase não é mostrado, irão te apagar da memoria. Não que isso aconteça com todos, como ninguém é igual a ninguém, as coisas podem inverter um pouco, se enrolarem e não terem um fim incerto. Mas o que vem ao caso, é que junto das mentiras, nasce uma verdadeira relação abalada, mesmo que depois seja perdoada, mentiras são como imã atraem solidão, desconfiança, e desprezo.
   Como boa capricorniana a pessoa que vós fala, não é nada boa quando o assunto é lidar com os próprios sentimentos e emoções, mesmo tendo as melhores e mais confiáveis amigas do mundo, escolhidas a dedo conforme a convivência, não consigo dividir minha vida, segredos e muito menos confissões. Omito, sim e muito minha vida, as boas línguas novamente dizem que tenho coração de pedra, mal elas sabem que ele é mais mole do que o delas. Não a nada mais reprimido e honesto de não mentir, do que omitir, desta forma poupamos o coração do nosso bisavó caso ele descubra um dia que aquilo era açúcar não adoçante, ou até mesmo aumentamos as chances de sermos perdoados, caso nossas línguas revelem algo não contado antes, é mais fácil dizer " caramba, eu não tinha te contado isso", do que " desculpe-me , foi só uma mentirinha boba".
   Contar a verdade, por mais que doa, omitir e mentir, fazem um coração sofrer. Mas aquilo que você deixou escapar sem querer e que de verdadeiro não tinha nada, é como um imã , muito forte e perigoso. Mentir só no dia 1° de Abril, e olhe lá leitor.

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