sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dentro do livro verde piscina...


Como antes já o disseram autores mais talentosos do que eu :

"Os leitores poderão imaginar..."etc. Mas, pensando melhor,acho que posso dar um pontapé no traseiro dessas imaginações.

Sabia que me apaixonara por Lolita para sempre; mas sabia também que ela não seria Lolita para sempre. faria treze anos no dia 1° de Janeiro. Dentro de uns dois anos deixaria de ser uma ninfeta e se transformaria numa "mocinha" e depois- horror dos horrores- numa "estudante universitaria". A palavra sempre referia-se apenas a minha própria paixão, à eterna Lolita tal como refletida em meu sangue. A Lolita cuja pélvis e ver, a Lolita de voz estridente e fartos cabelos castanhos (ondeados de vocabulário vulgar - "chocante", "finésimo", "gatão" -, aquela Lolita, minha Lolita, que o pobre Catulo perderia para sempre. Sendo assim, como poderia permitir-me deixar de vê-la durante dois meses de verão, dois meses de insónia? Dois meses inteiros subtraídos aos dois anos de ninfescencia que lhe restavam !

# Pagina 67, do capitulo 15, do extraordinario livro de capa verde piscina, de Vladimir Nabokov : Lolita

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