segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quase em casa


Tudo isso era aparentemente tedioso.Eu via as mesmas ruas,comércios e pessoas a cerca de quinze anos, da janela do ónibus.Eu passava cerca de dezenove vezes a mesma esquina em um único dia.Eu simplesmente não tinha onde ir.Eu simplesmente não queria dar de cara com você-sim,existe um outro caminho que posso percorrer para chegar em casa.
Eu sempre cubro meu rosto com uma maquiagem visivelmente sutil,mas que escondia uma noção sob recarregada de cansaço,eu mal conseguia fechar os olhos a noite,pois não queria sonhar com você.Isso era algo inevital,você estava em todos os lugares que eu frequentava,em todas as frases que eu dizia,em tudo que eu escrevia.Impotente,frágil,sonhadora,muda,desvirtuada,desorientada,apaixonada,estranha,sorridente,era desta forma que me sentia quando estava perto de você.Cada toque,suspiro,sorriso,risada,arrepio,respiração,me desencaminhavam e me tiravam do meu verdadeiro ser.Com objetivos certos a seguir,eu resolvi me entregar,a tentação a desvirtuação do coração, e ainda hoje pego o ónibus errado que passa em frente a sua casa,mas eu estou quase em casa.

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